O dia em que corri a São Silvestre

O dia em que corri a São Silvestre


Sim, por mais incrível que possa parecer o cabeçudo que vós fala correu a 87ª corrida de São Silvestre! Se você me conhece ou acompanha o blog do maior desafio do mundo, provavelmente deve saber que há 8 meses venho sendo preparado pelo Clube Perfformance para conseguir correr os famosos 15km da prova.

Desde então foram dezenas de idas a academia para reforçar a musculatura, acompanhadas de perto pelos instrutores que eram sempre muito solícitos (principalmente André, Rodrigo e Ney que costumavam estar lá no horário que eu ia), passando por algumas idas a nutricionista chegando até o mais importante, os treinos de corrida na rua especialmente preparados pelo capetão Emerson Cerejinha e as várias provas que ocorreram em Recife ao longo desses meses que serviram como teste. =)

O objetivo disso tudo? Provar que uma pessoa como eu, com uma vida extremamente sedentária, parada há mais de 7 anos, passando horas na frente do computador e sem nunca sequer ter posto os pés dentro de uma academia ou corrido mais que 2km poderia sim mudar os seus hábitos, conciliar as obrigações da vida com os treinos e passar a levar uma vida saudável. O resultado disso tudo? Logo nos primeiros meses eu mudei completamente, perdi um bocado de gordura do meu corpo e ganhei massa muscular que eu acredito nunca ter existido nele. =P

Depois de todos esses meses de treinamento, ansioso porém fisicamente preparado, parti com os companheiros do desafio e os capitães Emerson e Terciana para São Paulo. No dia antes da corrida recebi um verdadeiro tratamento de estrela, comi tudo o que há de bom e do melhor para ter as proteínas e carboidratos necessários para a prova e tudo isso naquele clima descontraído que lembrava muito as viagens com os amigos na época das excursões escolares. E foi assim, no meio de tantas risadas (se você olhar essas fotos do antes e depois de Ely e seu cabelo descolorido dá para ter uma ideia do que eu estou falando) e mimos (sério, eu não lembro a última vez que comi tão bem na vida) que a tão esperada hora da largada chegou! =D

A São Silvestre

Lembram quando eu falei o quão fantástica foi a sensação de ver toda aquela gente correndo na Maratona Maurício de Nassau?! Pois multiplique essa sensação por mil e foi mais ou menos isso o que eu senti na hora da largada da São Silvestre. Ver aquele mar de gente, todos não só com o objetivo de completar a prova mas principalmente se divertirem foi sensacional! Escutar todos os participantes gritarem eufóricos na entrada do primeiro túnel logo após a avenida Paulista, as palavras de apoio vindas tanto dos participantes como do pessoal que abre mão de descansar na véspera do ano novo para apoiar estranhos como eu (sim, gritaram palavras de apoio para minha pessoa) e toda a irreverência dos participantes (vi de tudo, desde a Morte, passando pelo Senna [o cara tava correndo de macacão e capacete] chegando até a fantasias e alegorias que poderiam muito bem estar na Sapucaí) são coisas e sensações que acredito que nem o Alzheimer seria capaz de fazer eu esquecer. =)

Todos esses acontecimentos fizeram com que eu tivesse forças suficientes para conseguir completar toda corrida. Porque sim amigos, ela é difícil, muito difícil, ainda mais para um corredor amador e ex-sedentário de uma cidade plana como Recife que mal sabe o que são subidas e descidas. =P

Sabe a famosa e tão temida subida da Brigadeiro Luis Antônio que normalmente é onde os quenianos deixam os atletas de elite brasileiro comendo poeira? Ela é a coisa mais desumana que já vi em toda minha vida de atleta! Subir seus 2 quilômetros correndo não é algo fácil, pensei em certos momentos que ia morrer, literalmente, mas também a sensação de ter conseguido subir ela vivo é tão gratificante quanto conseguir terminar a prova, pelo menos até você perceber que vai ter que descer tudo o que subiu e descobrir que a descida é tão difícil quanto a subida (acho que o pessoal que escala o Everest tem a mesma sensação). Essa foi a hora de segurar o ritmo para evitar lesões e chegar inteiro no final. =)

Mas nem tudo foi só alegria, o mais triste disso tudo não foi nem o fato do visor da minha câmera ter parado de funcionar por conta da chuva (mergulhei ela no arroz e ainda tô com esperanças de fazer ele voltar a funcionar), mas sim eu ter destruído meu chip (provavelmente na hora de apertá-lo bem forte no cadarço para não deixar ele cair eu acabei dobrando de um jeito que não deveria), resultado, eu acabei ficando sem uma classificação oficial. =|

Porém antes de começar a chover eu ativei meu runkeeper (aplicativo para telefones que usa o GPS para acompanhar atividades físicas) e consegui registrar meu desempenho. Desconsiderando o tempo em que fiquei esperando para conseguir passar da linha de largada e o tempo que consegui secar minhas mãos para poder parar o registro (a tela completamente molhada não deixava com que eu conseguisse apertar os botões para conseguir fazer pará-lo) descobri que fui melhor do que eu esperava, completei os 15km da São Silvestre em aproximadamente 1 hora e 36 minutos! =)

Não ter uma classificação oficial foi triste mas nada que não possa ser contornado por toda a felicidade que senti em participar, conseguir completar e ainda acompanhar todos os amigos do desafio (com exceção de Anninha que machucou o joelho durante os treinamentos mas que ainda assim conseguiu a proeza de correr 9km) cruzarem a linha de chegada mesmo embaixo da chuva e do frio. =)

Depois disso tudo foi reunir as poucas forças que restaram e fazer uma verdadeira bagunça festa no apê do hotel para comemorar não só o resultado de todos como o ano novo que estava por vir, afinal, não foi fácil para o Nacho (piada interna) como também para todos que participaram dessa odisseia. =)

Enfim, eu gostaria de parabenizar a todos os meus companheiros de corrida: Ely, Alexandre, Karol, Miau, Dudu, Cybele, Anna Terra e Isabelle que não só aceitaram esse verdadeiro desafio como também conseguiram superá-lo, Tiago e Juliana que não só acompanharam como também encararam a corrida, Brisa que teve que abandonar o desafio pois se mudou para São Paulo mas acompanhou a gente embaixo de chuva, os capitães Emerson e Terciana por terem dado toda essa força durante os treinos, aos amigos que acompanharam minha saga no blog ou na mesa de bar e deram a maior força e agradecer a Fishy pelo convite e todo apoio dado antes, durante e depois da corrida por Claudinha, Buchecha e especialmente Pamonha (que não roubou uma caneca de chopp para mim mas me salvou de morrer congelado cedendo a capa de chuva dela na linha de chegada) e a Perfformance que infelizmente fechará as portas mas que tornou tudo isso possível. Muito obrigado, vocês são fera, de verdade. =)

Cab